O Santander (SANB11) está redesenhando sua carteira de crédito. O banco está acelerando a saída do segmento de baixa renda — que hoje representa 13% a 14% do portfólio — e redirecionando capital para clientes de alta renda, pequenas e médias empresas e middle market. A estratégia, apresentada pela administração do banco em encontro com analistas, sinaliza uma virada relevante no perfil de risco da instituição.
Segundo relatório da XP, que acompanhou o evento, a lógica por trás do movimento é liberar capital, melhorar a produtividade dos ativos ponderados pelo risco e realocar recursos para segmentos com melhor relação risco-retorno.
De acordo com o relatório, as PMEs, em particular, aparecem como a principal aposta de crescimento: respondem hoje por apenas 10% a 11% do portfólio de crédito do banco — cerca da metade da exposição de outros grandes incumbentes —, o que, na avaliação do XP, indica espaço relevante para expansão. Os três segmentos prioritários devem registrar crescimento de crédito em dois dígitos.
Mudança em atacado tradicional
O banco também deixou de lado o atacado tradicional como prioridade. O wholesale banking convencional, segundo a administração, opera em ambiente competitivo que dificulta retornos ajustados ao risco adequados, com ROEs frequentemente próximos ao custo de capital e rentabilidade dependente de cross-selling.
No campo das margens, o XP destaca que o Santander apresentou o que chamou de “agenda de jaws”: crescimento de tarifas e comissões em ritmo superior ao das despesas operacionais, mantendo o avanço dos gastos abaixo da inflação. O objetivo é expandir o lucro líquido sem assumir riscos adicionais. O ROE estrutural de longo prazo foi apontado pela administração acima de 20%, embora o banco tenha ressaltado que cortes de juros, por si só, não sejam suficientes para sustentar esse patamar sem alavancas operacionais complementares.
Um ponto de cautela levantado pelo XP envolve o crédito consignado privado. O banco está testando o produto de forma conservadora, preocupado com o tempo maior para identificação do primeiro default em relação ao modelo anterior — no qual chegou a deter 30% de market share. A administração foi explícita: não pretende acelerar o crescimento do produto enquanto a visibilidade sobre a qualidade da carteira permanecer limitada.
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