A Itaúsa (ITSA4) deve continuar ampliando seus lucros em ritmo superior ao do Itaú Unibanco (ITUB4) nos próximos anos, impulsionada por melhora nas investidas não financeiras, redução de despesas financeiras e efeitos positivos da reforma tributária prevista para 2027. A avaliação é do Banco Safra, que vê catalisadores relevantes para a diminuição do desconto de holding.
Apesar desse cenário construtivo no médio prazo, os resultados do quarto trimestre de 2025 foram considerados neutros para as ações, já que os números das principais subsidiárias já eram conhecidos pelo mercado. A única exceção é a Aegea, cujos resultados ainda não foram divulgados, embora a companhia sinalize impacto pouco relevante no consolidado anual.
No período, a Itaúsa registrou lucro líquido recorrente de R$ 4,448 bilhões, com retorno sobre o patrimônio (ROE) de 19,6%, em linha com as estimativas e avanço de 21% na comparação anual. O desempenho foi sustentado pela contribuição sólida do Itaú, que cresceu 14% no ano, e por uma forte recuperação das investidas não financeiras, cujos resultados avançaram 330% no mesmo intervalo.
Estrutura financeira
Outro destaque foi a melhora na estrutura financeira da holding. O resultado financeiro apresentou evolução, com prejuízo reduzido para R$ 67 milhões, refletindo uma estratégia mais eficiente de gestão de passivos. A dívida líquida caiu para R$ 300 milhões, enquanto a cobertura de juros — indicador que mede a capacidade de pagamento — mais do que dobrou no trimestre, atingindo 29 vezes. O custo médio da dívida permaneceu estável em CDI +1,11%.
Por outro lado, o aumento das despesas tributárias, influenciado por maior participação de juros sobre capital próprio (JCP) nos proventos recebidos, limitou parcialmente o avanço do lucro antes de impostos. Ainda assim, o resultado ficou dentro do esperado pelo mercado.
O Safra destaca que dois fatores podem destravar valor adicional para os acionistas: a estrutura acionária da participação na Aegea e as mudanças tributárias previstas para 2027. Em 2025, a Itaúsa distribuiu R$ 11,9 bilhões em dividendos e JCP, equivalente a um rendimento de aproximadamente 8%, reforçando sua atratividade como geradora de caixa.






