Comprar o Ibovespa ao som de canhões? Parece um tanto dramático, mas no mundo das finanças, o caos costuma ser o melhor saldão da temporada. A estratégia – uma das favoritas de Warren Buffett – sugere que o melhor momento para investir é quando o pânico toma conta, pois é aí que as boas empresas ficam baratas.
Esta é a visão do Safra, que elevou o preço-alvo para o Ibovespa em 2026 para 220 mil pontos, o que significa um potencial de valorização adicional de 18,65%. O índice já acumula alta de 15,5% no ano.
“Embora o mercado continue hesitante sobre como as tensões geopolíticas podem afetar a inflação, ainda há espaço para cortes nas taxas de juros no Brasil. Assim, o ambiente volátil pode ser visto como uma oportunidade para buscar opções na bolsa de valores“, apontam os analistas Cauê Pinheiro, Carolina Carneiro, Yves Adam e Luana Nunes.
Ou seja, a estratégia de “comprar ao som de canhões”, poderia se aplicar a este cenário: empresas com fundamentos sólidos também são negociadas com descontos em tempos de incerteza.
Dinâmica do conflito
Os analistas lembram que os mercados emergentes começaram o ano em alta, impulsionados por um dólar mais fraco em meio a instabilidades causadas por tarifas de importação e preocupações sobre a sustentabilidade dos elevados investimentos das big techs.
“O recente conflito no Oriente Médio desencadeou um choque nos preços do petróleo e adicionou incerteza em torno da política monetária, interrompendo esse rali. Ao analisar conflitos anteriores, mostramos que os choques nos preços do petróleo se mostraram temporários, com uma normalização gradual dos preços, permitindo que as tendências de mercado anteriores se restabelecessem ao longo do tempo”, relatam.
De volta aos fundamentos
O banco entende que, à medida que as incertezas relacionadas à guerra se dissipam, o mercado de ações brasileiro deve retornar aos seus fundamentos, que permanecem sólidos e atraentes. Eles citam 3 pontos:
Valuations ainda atraentes: com o mercado negociando a 9,5 vezes e 8,4 vezes os lucros estimados para 2026 e 2027, respectivamente, versus 11,6 vezes e 10 vezes para mercados emergentes;
Continuação do ciclo de corte de juros: mesmo que limitado pela pressão dos preços do petróleo, apoiando a recuperação dos lucros nos próximos anos;
Rotação contínua de capital: o movimento de investidores saindo de mercados desenvolvidos para emergentes, onde setores de ativos reais da economia têm peso significativo.
O que comprar?
Os analistas sugerem a compra de setores defensivos, ações de alta liquidez e sensíveis aos juros.
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