Dona da Centauro e detentora da licença Nike (NKE; NIKE34) no Brasil por meio da Fisia, o Grupo SBF (SBFG3) intensifica investimentos para capturar a demanda da Copa do Mundo — e faz isso negociando cerca de 35% abaixo dos pares em termos de valuation.
Essa é a leitura do Bradesco BBI e da XP após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025.
Para a XP (XP), o Grupo SBF entregou resultados mistos no período, com crescimento de receita, mas margens brutas mais fracas em função da maior atividade promocional e do impacto cambial.
O BBI, por sua vez, avalia a leitura dos números como neutra, sem alterações relevantes na tese de investimento.
“O trimestre reforça a execução consistente da gestão, com melhora dos principais indicadores operacionais — produtividade em dois dígitos nas lojas Centauro, recuperação do canal atacadista da Fisia e elevação de vendas em lojas reformadas”, afirmam os analistas Pedro Pinto e Flávia Meireles, do BBI.
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Os analistas Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer, da XP, destacam que a Centauro continuou a acelerar com ganhos de produtividade e investimentos estratégicos, ao passo que a Fisia se beneficiou de um mix mais favorável no canal de varejo e da recuperação do atacado.
“O câmbio segue como um vento contrário para as margens na Fisia, mas deve aliviar a partir do 2S, enquanto o quadro de funcionários das lojas e as reformas já estão trazendo resultados na Centauro, embora ao custo de alavancagem operacional”, complementa a XP.
Copa do Mundo deve impulsionar o Grupo SBF
No que diz respeito às perspectivas para o desempenho da companhia durante a Copa do Mundo, o Bradesco BBI destaca que, a partir do 2T26, o câmbio tende a contribuir positivamente para as margens.
Ainda que maiores despesas operacionais, estoques mais elevados e capex robusto continuem pressionando o curto prazo, o banco avalia que esses investimentos são necessários para capturar uma demanda potencialmente mais forte no período.
A XP entende que a companhia está bem posicionada para se beneficiar tanto da demanda gerada pela Copa quanto de dois novos patrocínios de futebol, cujos efeitos já devem aparecer nos resultados do 1T26.
“O foco da Fisia em reforçar as categorias de futebol e corrida e aprofundar relações B2B deve sustentar o crescimento, embora com dinâmicas competitivas que merecem monitoramento”, afirma a XP.
Vale lembrar que os riscos seguem no radar. O câmbio ainda pressiona as margens da Fisia no curto prazo, a competição no setor permanece acirrada e a execução operacional — especialmente o equilíbrio entre investimentos e rentabilidade — exigirá atenção nos próximos trimestres.
Ainda assim, o valuation segue como argumento relevante. O BBI aponta que o papel negocia ao redor de 6x o múltiplo P/L para 2026, cerca de 35% abaixo dos pares, nível que, na avaliação dos analistas, ainda não incorpora a maior previsibilidade de crescimento do lucro esperada a partir do 1T26.
Com base nisso, o Bradesco mantém uma visão construtiva para a tese. A XP, por sua vez, reiterou a recomendação de compra para o Grupo SBF.
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