A queda de 4,99% do Ibovespa na semana passada – a pior desde novembro de 2022 – gerou uma pergunta natural entre os investidores: o que a história diz sobre o comportamento do índice após movimentos dessa magnitude? Os analistas Lucas Costa e Gabriela Sporch, do BTG Pactual, foram atrás da resposta nos dados desde 2001.
O levantamento identificou 59 episódios em que o Ibovespa registrou queda semanal superior a 4%. O padrão que emerge é claro: o curto prazo é incerto, mas o horizonte mais longo tende a ser construtivo.
“No horizonte mais curto, o comportamento tende a ser misto. Uma semana após a queda, o índice subiu em 50,85% das vezes, com retorno médio de -0,69% e mediana levemente positiva de 0,28%, sugerindo que o mercado frequentemente passa por um período de estabilização após o choque inicial”, apontam os analistas.
Performance após queda de 4% na semana
Fonte: BTG Pactual e Bloomberg
Em duas semanas, a taxa de semanas positivas sobe para 59,32%, com retorno médio de 0,39%.
A melhora se consolida com o tempo. Em cinco semanas, o índice apresentou alta em 64,41% dos casos, com retorno médio de 5,21%.
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No horizonte mais longo, o histórico é ainda mais favorável: “após 20 semanas, o índice subiu em 73,68% dos casos, com retorno médio de 27,62% e mediana de 21,28%”, destacam Costa e Sporch.
O caminho, porém, não é linear. O desvio-padrão de 30% observado no horizonte de dez semanas revela dispersão elevada — sinal de que a recuperação após quedas abruptas costuma ser volátil e não uniforme entre os diferentes episódios históricos.