Analistas avaliam que as discussões envolvendo a TIM (TIMS3) e a I-Systems não alteram a tese de investimento da companhia, nem trazem impacto relevante sobre valuation ou estimativas no curto prazo.
A leitura ganhou força após a operadora divulgar fato relevante confirmando que está em conversas não vinculativas com a IHS Towers sobre uma possível aquisição do ativo de fibra, ainda sem acordo fechado.
No comunicado, a TIM afirmou que avalia continuamente alternativas estratégicas e oportunidades que possam contribuir para o fortalecimento de seus serviços de banda larga e para o aprimoramento de sua infraestrutura de telecomunicações, sempre com uma abordagem seletiva, focada em eficiência e qualidade.
TIM confirma conversas, mas sem acordo fechado
A companhia esclareceu que as negociações estão em estágio preliminar e que não houve avanço em relação a preço, estrutura da transação ou cronograma para eventual conclusão do negócio. Segundo a TIM, qualquer decisão dependerá da evolução das conversas e da análise interna sobre a viabilidade da operação.
A empresa ressaltou ainda que a divulgação do fato relevante teve como objetivo prestar esclarecimentos ao mercado após a circulação de informações na mídia local.
Bradesco BBI vê impacto neutro na tese
Na avaliação do Bradesco BBI, a confirmação das conversas não altera a tese de investimento da TIM nem traz impacto relevante sobre o preço das ações ou sobre as estimativas atualmente projetadas para a companhia.
“A TIM apenas confirmou as informações que já haviam sido mencionadas pela mídia local, sem fornecer detalhes adicionais sobre o possível acordo. Continuamos acreditando que uma eventual aquisição da I-Systems teria impacto limitado na avaliação da companhia”, afirmam os analistas do Bradesco BBI.
O banco acrescenta que a possível recompra da participação da IHS na operação de fibra pode estar relacionada a um movimento inicial de reorganização do negócio, com a perspectiva de uma futura joint venture com outros players do setor.
Safra destaca lógica estratégica no longo prazo
O Banco Safra também avalia que o tema não altera o cenário de curto prazo para a TIM, mas aponta possíveis implicações estratégicas no longo prazo, especialmente no que diz respeito à gestão da infraestrutura de fibra óptica.
“Apesar de o negócio de banda larga ainda ter peso reduzido no mix de receitas da TIM, a consolidação da I-Systems pode ser estrategicamente positiva ao eliminar pagamentos recorrentes de aluguel da rede e permitir maior controle sobre a expansão e a qualidade do serviço”, avaliam os analistas do Safra.
Segundo o banco, a operação também poderia dar maior agilidade comercial à operadora, ao permitir o lançamento de ofertas convergentes sem a necessidade de aprovação de um parceiro financeiro.
Leia também:
Debate sobre o modelo de rede neutra
Na leitura do Safra, o possível movimento da TIM se insere em uma discussão mais ampla sobre os limites do modelo de rede neutra no Brasil. De acordo com o banco, esse formato tem enfrentado dificuldades para atrair múltiplos operadores capazes de dividir o elevado custo de capital da infraestrutura.
“No caso da I-Systems, a dependência quase exclusiva da TIM acabou criando uma situação em que a operadora pagava margem a um parceiro por uma rede que utilizava praticamente sozinha”, apontam os analistas.
Nesse contexto, o banco observa que a verticalização da infraestrutura passa a ser considerada uma alternativa para preservar margens e garantir maior independência estratégica em um mercado de telecomunicações já mais maduro.






