A Rumo (RAIL3) questionou sua controladora, a Cosan (CSAN3), sobre uma possível venda de participação na empresa de logística, diante do quadro de dificuldade vivido por ela.
Em nota ao mercado, a Rumo esclareceu que a Cosan admite uma possível venda de fatia na companhia, dada sua prioridade estratégica voltada à desalavancagem e simplificação. Porém, não há nenhum acordo ou negociação nesse sentido, contrariando notícias de que a Ultrapar (UGPA3) poderia adquirir uma participação em conjunto com a Perfin, conforme informou a Bloomberg.
Segundo a publicação, a dona da rede Ipiranga e a gestora ficariam com aproximadamente 30% da companhia logística, sendo que a primeira ficaria com uma participação maior, enquanto a Perfin teria uma fatia menor.
Negociações
A negociação envolvendo Ultrapar, o fundo Perfin e a Cosan pela participação na Rumo tende a resultar na compra de cerca de 10% das ações da operadora ferroviária. A avaliação é de analistas do Bradesco BBI, que acompanham as negociações noticiadas pela Bloomberg.
Segundo o banco, uma aquisição nessa faixa colocaria os compradores próximos do limite estatutário de 15% de participação na companhia, mas ainda permitiria margem para negociações societárias sem a necessidade de acionar mecanismos de proteção previstos no estatuto.
Na avaliação dos analistas, a escolha por uma participação parcial — e não pela totalidade da fatia atualmente detida pela Cosan — teria caráter estratégico. Uma venda integral poderia abrir espaço para discussões relacionadas a direitos de tag along, tema que, segundo o banco, não aparece como central neste momento.
Outro ponto técnico relevante para a operação é o mecanismo de poison pill existente no estatuto da Rumo. A regra estabelece que qualquer acionista que ultrapasse 15% de participação na companhia fica obrigado a lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) para os demais acionistas. Esse limite, portanto, tende a balizar o desenho da eventual transação.






