A agência de classificação de risco S&P Global Ratings rebaixou nesta segunda-feira (20) o rating de crédito da Aegea Saneamento e Participações, registrada na B3 ($B3SA3) como emissora de dedêntures, de ‘B+’ para ‘B’ na escala global. A decisão encerra o período de CreditWatch com implicações negativas, no qual a empresa havia sido colocada em 1º de abril, e reflete o impacto de revisões contábeis que enfraqueceram significativamente os indicadores financeiros da companhia.
Além do rating corporativo, a S&P também rebaixou a nota dos bonds emitidos pela Aegea Finance S.a.r.l. de ‘B+’ para ‘B-‘, alterando ainda o rating de recuperação da dívida de ‘3’ para ‘5’ — o que indica expectativa de recuperação de apenas cerca de 15% em um cenário de inadimplência.
Revisões contábeis pioraram o quadro financeiro
A deterioração dos indicadores da Aegea tem origem em uma série de ajustes contábeis promovidos pela própria companhia, que atrasou repetidamente a divulgação de suas demonstrações financeiras de 2025. Quando os números vieram a público, reformulações substanciais afetaram o reconhecimento de receita — incluindo a contabilização de serviços de água apenas após o pagamento — e a metodologia de receita de construção em contratos de parceria público-privada (PPPs), além de alterações no cálculo de perdas de crédito esperadas e na capitalização de juros de concessões.
O resultado foi uma piora expressiva nas métricas de crédito acompanhadas pela S&P. A agência projeta agora índice de dívida líquida sobre Ebitda em torno de 6,0 vezes em 2026 e 2027, geração de caixa sobre dívida entre 7% e 8%, e cobertura de juros abaixo de 2,0 vezes — números consideravelmente mais fracos do que os 6,9 vezes, 6,6% e 1,9 vez registrados em 2025.
Covenants no limite acendem sinal de alerta
O ponto mais sensível do cenário é a proximidade da Aegea do limite de seus covenants financeiros. A companhia possui cláusulas contratuais que exigem a manutenção da dívida líquida sobre Ebitda abaixo de 4,0 vezes. O índice encerrou 2025 em 3,78 vezes — margem estreita diante de uma dívida financeira total de R$ 55,6 bilhões.
Caso haja descumprimento do limite na medição anual de dezembro de 2026, a S&P alerta que credores poderiam exigir a aceleração do pagamento de grande parte das linhas de crédito da empresa, incluindo cerca de R$ 3,7 bilhões de um empréstimo sindicalizado. A agência também aponta que as medições trimestrais de março e junho de 2026 devem seguir pressionadas.
A própria Aegea afirma não esperar descumprir os covenants. Caso as medições dos primeiros trimestres sinalizem risco de quebra, a empresa avalia buscar waivers junto aos credores ou realizar amortizações antecipadas de dívida.
A S&P manteve perspectiva negativa para o rating da Aegea, sinalizando que um novo rebaixamento é possível. O principal gatilho seria uma eventual restrição de acesso da companhia aos mercados de dívida — cenário que comprometeria sua estratégia de crescimento e a melhora projetada do Ebitda. Para que a pressão sobre o rating se alivie, a agência considera necessário que a folga em relação aos covenants supere 10% até dezembro de 2026.






