O mercado de mídia financeira vive um momento de reorganização. A chegada de novos players ao noticiário econômico e a crescente demanda por análise qualificada em um ambiente de juros elevados e volatilidade geopolítica reforçam a percepção de que o segmento tem valor estratégico.
É nesse contexto que a BM&C News formaliza uma nova estrutura de liderança, com Paula Moraes assumindo como CEO & Publisher e Luiz Messici migrando para o papel de chairman.
Para Paula, a transição tem uma lógica interna que antecede o anúncio.
“Na prática, é uma formalização de algo que já acontecia. O Luiz sempre teve uma atuação muito voltada à estratégia, visão de longo prazo e expansão da companhia, que é exatamente o papel de um chairman. E eu já vinha naturalmente mais próxima da operação, do relacionamento e da construção do negócio no dia a dia”, explica, em entrevista exclusiva ao EuQueroInvestir.
Três frentes, uma direção
Com a estrutura reorganizada, Paula define três prioridades para os próximos 12 meses.
A primeira é consolidar a liderança em audiência qualificada — crescimento que não abre mão do foco no público que toma decisões.
A segunda é aprofundar a monetização do ecossistema da companhia.
A terceira passa pela expansão institucional, com novos produtos, novos formatos e fortalecimento da marca BM&C como referência no mercado financeiro.
“A BM&C não é só um canal, é uma plataforma que integra TV, digital e distribuição proprietária. Existe muito espaço para sofisticar esse modelo e capturar mais valor”, afirma. A emissora já alcança 550 mil domicílios mensalmente, com 359 mil pertencentes à classe AB e permanência média superior a nove minutos por acesso.
Para a CEO, crescimento sem direção definida não faz parte da estratégia.
“Crescimento, para nós, não é volume. É relevância com consistência”, resume.
Esse entendimento orienta tanto as decisões de conteúdo quanto as comerciais, com o objetivo de diversificar fontes de receita sem comprometer a independência editorial.
Do lado da monetização, o modelo combina publicidade, projetos especiais, conteúdo proprietário e parcerias estratégicas. No entanto, o foco não está apenas em ampliar distribuição.
“Estar onde o público está, TV, FAST, plataformas digitais, mas, principalmente, aumentar o tempo de atenção”, diz Paula.
Para ela, o mercado já começa a valorizar atenção real acima de alcance bruto, e é justamente nesse ponto que a BM&C aposta como vantagem competitiva.
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Concorrência valida o mercado
A entrada de novos competidores no noticiário financeiro, como CNN Money e Times Brasil, não preocupa a executiva.
Para Paula, o movimento confirma o valor do segmento e evidencia uma distinção estrutural entre estar presente e estar posicionado.
“A BM&C não é um veículo generalista que passou a cobrir economia. Nós nascemos dentro do mercado, entendendo profundamente o que esse público precisa e, principalmente, o que ele quer consumir”, afirma.
A origem da emissora, segundo Paula, moldou seu conteúdo de forma que concorrentes com histórico generalista têm dificuldade de replicar.
“O Luiz vem do mercado financeiro, conhece a dinâmica de decisão de capital na prática, e isso moldou o nosso conteúdo desde o início. A gente não está focado em volume de notícias, mas em análise, contexto e leitura de cenário, que é o que realmente agrega valor para quem decide”, explica.
Nos dados, essa diferenciação se traduz em liderança de audiência nas principais operadoras de TV e nas plataformas FAST. “Mais do que aumentar a competição, esse movimento acabou evidenciando uma preferência que já existia”, conclui.
No fim, a tese que orienta a nova fase da companhia é a coerência entre distribuição, conteúdo e modelo de negócio.
“A BM&C foi construída desde o início para um público específico, e tudo, conteúdo, distribuição e modelo de negócio, foi desenhado em torno disso”, diz Paula.






