O mercado imobiliário de São Paulo atravessa um momento de relativa estabilidade nos custos de materiais, mas ainda enfrenta desafios relevantes ligados a questões regulatórias, mão de obra e demanda, segundo análise de especialistas da XP após reunião com executivos do setor.
De acordo com os analistas, a inflação dos insumos de construção segue comportada, sem sinais de pressão relevante no curto prazo. No entanto, há preocupação com os custos logísticos.
“A inflação dos materiais permanece baixa, mas um eventual aumento do diesel, em função de tensões geopolíticas, pode pressionar os custos de transporte e, consequentemente, as margens das construtoras”, destacam.
Mercado imobiliário de São Paulo: entraves regulatórios no radar
Um dos principais pontos de atenção no momento é a paralisação temporária de novos lançamentos na capital paulista, após contestações judiciais envolvendo o Plano Diretor. A suspensão gera incerteza para o setor, ainda que haja expectativa de resolução no curto prazo.
“O congelamento dos alvarás impacta diretamente o pipeline das empresas, embora a expectativa seja de uma definição em cerca de 15 dias”, afirmam os analistas.
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Apesar da disputa jurídica, representantes do setor argumentam que o processo de revisão do Plano Diretor contou com ampla participação pública. Enquanto isso, outras etapas burocráticas, como a emissão do “Habite-se”, também sofreram atrasos recentes, já em processo de normalização.
No campo operacional, a escassez de mão de obra continua sendo um desafio estrutural. Segundo a XP, há dificuldade tanto na contratação quanto na qualificação de novos trabalhadores. “Observamos uma combinação de baixa qualificação da mão de obra mais jovem com o envelhecimento da força de trabalho atual, o que pressiona salários e reduz a produtividade”, apontam.
Problemas na cadeia de suprimentos também afetaram o setor recentemente, especialmente no fornecimento de elevadores e nas conexões de energia elétrica. Ainda assim, os analistas indicam que esses gargalos já mostram sinais de melhora.
A dinâmica de vendas segue desigual entre os diferentes segmentos de renda. O mercado voltado à classe média continua mais pressionado, refletindo condições de crédito mais restritivas. Em contrapartida, os segmentos de baixa renda e de alto padrão permanecem resilientes.
“As vendas seguem desafiadoras no segmento de renda média, enquanto baixa renda e alto padrão continuam apresentando desempenho mais sólido”, observam.
Os analistas também chamam atenção para possíveis mudanças estruturais no mercado de trabalho. O eventual fim do regime de trabalho 6×1 pode gerar impactos significativos. “Estimamos que essa mudança poderia elevar os custos em até 17,6%, com repasse parcial aos preços, além de exigir um aumento expressivo da força de trabalho”, afirmam.
Outro fator no radar é a reforma tributária. Embora ainda em fase inicial, a avaliação é que empresas mais estruturadas devem se beneficiar. “Companhias com maior capacidade de aproveitamento de créditos fiscais tendem a sair na frente, enquanto o segmento de alta renda pode enfrentar maior carga tributária e complexidade operacional”, dizem.
Diante desse cenário, a XP mantém preferência por empresas mais bem posicionadas nos segmentos de média e alta renda, com destaque para a Cyrela. “Entendemos que players com maior escala e eficiência operacional estão mais preparados para navegar o ambiente atual”, concluem os analistas.






