Café
Home
Notícias
Mercados
Medidas antidumping sobre aço chinês podem se revelar inúteis

Medidas antidumping sobre aço chinês podem se revelar inúteis

Segundo relatório do BTG, ainda existem riscos elevados de que a pressão das importações persista no mercado siderúrgico local

As tarifas antidumping que o Brasil adotou recentemente contra as importações de aço da China podem sair pela culatra e não dar em nada. Segundo relatório do BTG Pactual (BPAC11), ainda existem riscos elevados de que a pressão das importações persista no mercado siderúrgico local.

“Experiências anteriores em vários países sugerem que exportadores chineses frequentemente encontram maneiras de contornar barreiras comerciais, seja ajustando especificações dos produtos, redirecionando embarques por meio de terceiros países ou transferindo volumes para categorias que ainda não estão sujeitas a medidas antidumping”, diz trecho do relatório.

O banco de investimentos relata que, embora as tarifas recentemente anunciadas possam reduzir parte dos fluxos de importação considerados mais agressivos, é difícil enxergá-las como uma verdadeira mudança estrutural. Assim, o impacto total dessas medidas sobre o mercado ainda permanece incerto.

Modelo mais simples

Para o BTG, o que o Brasil realmente precisa é de um modelo mais simples e abrangente, semelhante à Seção 232 adotada nos Estados Unidos, elevando tarifas para cerca de 25% em uma ampla gama de produtos e por período indeterminado.

“Ao mesmo tempo, o setor continua enfrentando desafios no curto prazo, incluindo demanda fraca, estruturas de preços baseadas em contratos — que limitam ajustes rápidos de preços — e níveis de estoque ainda elevado”, aponta trecho do relatório.

Publicidade
Publicidade

De acordo com matéria publicada pela Fasmakers, participantes do mercado chinês reconhecem que as novas tarifas antidumping tornam mais difíceis as exportações diretas para o Brasil. Mas fontes do mercado daquele país informaram que o Brasil continua sendo um destino estratégico para o aço da China e que os exportadores dificilmente abandonarão esse mercado. Com isso, é mais provável que os chineses encontram um caminho de contornar a tarifa.

Uma das estratégias mais mencionadas envolve transferir a produção para fora do território chinês e players do mercado relatam que siderúrgicas chinesas estão considerando a hipótese de instalar operações em outros países, incluindo na América Latina, utilizando equipamentos transferidos da própria China – permitindo a importação a partir de terceiros países.