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Tim negocia na Itália: o que os acionistas brasileiros podem esperar?

Tim negocia na Itália: o que os acionistas brasileiros podem esperar?

O banco Safra fez uma simulação de alguns possíveis cenários sobre os desdobramentos dessa negociação na Europa

A Telecom Itália, controladora da brasileira TIM Brasil (TIMS3), estaria em negociações com a Poste Italiane, empresa estatal, que teria oferecido uma oferta em dinheiro e ações de 10,8 bilhões de euros para adquirir a telefônica italiana. Com isso, o que os acionistas brasileiros podem esperar? O banco Safra fez uma simulação de alguns possíveis cenários sobre os desdobramentos dessa negociação.

Para o banco Safra, o que ocorre nesse momento é que embora essa transação ocorra estritamente no nível da holding na Europa, acreditamos que a leitura cruzada para a TIM Brasil pode ser a de que o mercado provavelmente começará a especular sobre a venda da subsidiária brasileira – considerada a joia da coroa do grupo Telecom Italia, atuando como seu principal motor de crescimento e geração de caixa.

“No entanto, o core business da Poste Italiane gira em torno de logística, seguros e serviços financeiros com respaldo estatal, o que significa que um ativo de infraestrutura de telecomunicações na América Latina tende a ser visto como não estratégico”, diz trecho do relatório.

O documento diz ainda que, do ponto de vista de governança, a transferência do controle indireto para o governo italiano pode criar um overhang de curto prazo devido a potenciais interferências políticas na alocação de capital.

Cenários de negociação

Levando em conta a possível complexidade da operação, o Safra fez algumas simulações de possíveis desdobramentos.

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No primeiro cenário, a aquisição proposta não se materializa devido à oposição de acionistas, como a resistência da Vivendi, ou a entraves regulatórios na Europa.

Em caso de aquisição, a Poste Italiane leva o controle da Telecom Italia, mas decide não realizar qualquer reestruturação corporativa de curto prazo em relação aos seus ativos na América Latina. Nesse cenário, nada muda estruturalmente para a TIM Brasil.

Em um terceiro cenário, a Poste Italiane classifica oficialmente a TIM Brasil como um ativo não estratégico e opta por um desinvestimento total para reduzir alavancagem ou financiar suas operações domésticas.

“Isso injeta um prêmio especulativo de M&A nas ações da TIMS3, potencialmente atraindo entrantes estrangeiros ou fundos de private equity em busca de escala na América Latina”, diz trecho do relatório.

Tag along

No quarto cenário, a Tim é listada no Novo Mercado, garantindo aos acionistas minoritários 100% de tag along. A CVM precisará avaliar se isso configura uma alienação indireta de controle.

Caso positivo, uma oferta pública de aquisição (OPA) obrigatória poderia ser acionada no Brasil. O mercado poderia debater a avaliação por Soma das Partes (SOTP) para isolar o preço implícito pago pelas operações brasileiras dentro da oferta global de 10,8 bilhões de euros.

Já no quinto cenário, a estatal italiana mantém o ativo, mas o trata como um veículo gerador de caixa.

“Sob essa tese, esperamos maior pressão sobre a TIM Brasil para maximizar seu payout (dividendos e JCP) e otimizar o Capex, de forma a canalizar liquidez de volta para a Itália, sustentando o balanço do novo controlador”, completa trecho do relatório.