A Natura (NATU3) registrou avanço na rentabilidade no 4TRI25, mesmo diante de desafios no crescimento das receitas. O balanço da companhia aponta melhora de margens, geração de caixa consistente e redução da alavancagem financeira. O desempenho ocorreu em meio a um cenário macroeconômico mais desafiador no Brasil e a instabilidades operacionais em mercados da América Hispânica.
No quarto trimestre de 2025, a receita líquida consolidada da Natura somou R$ 6,19 bilhões, uma queda de 12,1% na comparação anual. Apesar da retração nas vendas, a empresa conseguiu ampliar sua eficiência operacional e fortalecer as margens, impulsionada por ajustes estratégicos e integração de operações.
Rentabilidade cresce com ganhos de eficiência
Mesmo com a pressão nas receitas, a Natura registrou forte evolução na rentabilidade. O EBITDA recorrente atingiu R$ 978 milhões no quarto trimestre, com margem de 15,8%, resultado superior ao observado no mesmo período do ano anterior.
Na América Latina, a margem EBITDA recorrente chegou a 16,1%, refletindo ganhos de eficiência nas despesas operacionais e otimização de custos administrativos. A estratégia incluiu ajustes na remuneração variável e melhor gestão das despesas de vendas, fatores que compensaram investimentos estruturais realizados ao longo do ano.
No acumulado de 2025, o EBITDA recorrente da companhia atingiu R$ 3,1 bilhões, com margem de 14,1%. Esse desempenho reforça a capacidade da empresa de manter rentabilidade mesmo em um cenário de desaceleração do mercado de beleza em alguns países da região.
Desempenho das receitas enfrenta desafios regionais
Apesar do avanço nas margens, o crescimento da receita foi limitado por fatores econômicos e operacionais. No Brasil, as vendas registraram queda anual de 4,8% no trimestre, impactadas principalmente pela redução no número de consultoras menos produtivas e por um ambiente de consumo mais restrito.
Já na América Hispânica, as receitas foram afetadas pela integração das operações de Natura e Avon na Argentina e no México, além da volatilidade cambial e do impacto da hiperinflação argentina. Esses fatores levaram a uma retração de 21,5% nas receitas em reais na região.
Mesmo assim, em moeda constante, alguns mercados apresentaram sinais de recuperação, especialmente com crescimento da marca Natura fora da Argentina e expectativas de melhora ao longo de 2026.
Lucro e geração de caixa mostram resiliência
O lucro líquido das operações continuadas foi de R$ 186 milhões no quarto trimestre. Excluindo efeitos não recorrentes relacionados à venda da The Body Shop, o lucro teria alcançado cerca de R$ 620 milhões, representando melhora significativa em relação ao mesmo período do ano anterior.
No acumulado de 2025, o lucro líquido das operações continuadas foi de R$ 463 milhões, podendo chegar a R$ 974 milhões quando desconsiderados efeitos extraordinários ligados a desinvestimentos e provisões contábeis.
Além disso, a empresa encerrou o ano com dívida líquida de R$ 3,5 bilhões e índice de alavancagem de 1,57 vez o EBITDA, indicando uma posição financeira mais equilibrada.
Simplificação do grupo abre caminho para novo ciclo
Outro destaque do período foi a conclusão do processo de simplificação da companhia. Em 2025, a Natura finalizou a venda de operações internacionais da Avon e reorganizou sua estrutura corporativa, voltando a operar de forma mais enxuta.
A empresa também integrou as marcas Natura e Avon em mercados importantes da América Latina e avançou na digitalização do modelo de vendas, reforçando canais online e estratégias omnichannel.
Com essas mudanças, a expectativa da companhia é iniciar um novo ciclo de crescimento a partir de 2026, com recuperação gradual das receitas, inovação em produtos e maior eficiência operacional.






