Em um trimestre marcado por sazonalidade negativa e pressão sobre volumes, o setor de commodities deve apresentar desempenhos bastante distintos entre as empresas no primeiro trimestre de 2026. Segundo relatório do BTG Pactual, enquanto parte relevante das companhias deve enfrentar resultados mais fracos, nomes como Gerdau (GGBR4) e Aura Minerals (AURA33) surgem como os principais destaques positivos do período.
Tradicionalmente, o primeiro trimestre já tende a ser mais fraco para o setor, especialmente em volumes, refletindo fatores como chuvas mais intensas no Brasil, paradas para manutenção e uma demanda mais moderada no início do ano. No entanto, o cenário de preços mais sustentáveis para diversas commodities ajuda a mitigar parcialmente esses efeitos.
Entre os principais nomes, a Gerdau aparece como o grande destaque, impulsionada sobretudo por suas operações nos Estados Unidos. A companhia segue se beneficiando de um ambiente de preços construtivo, spreads metálicos atrativos e demanda resiliente, o que deve sustentar margens Ebitda acima de 24% no primeiro trimestre, mais do que compensando os desafios ainda presentes no Brasil.
Já a Aura Minerals também deve registrar desempenho sólido, com crescimento sequencial de Ebitda, mesmo diante de limitações operacionais em Serra Grande e da sazonalidade mais fraca na produção. O bom momento dos metais preciosos, com valorização relevante no período, tende a compensar a menor produção nas minas.
De forma mais ampla, empresas expostas a metais básicos e preciosos devem se beneficiar de ganhos expressivos de preços no trimestre. A alta de cerca de 15% do cobre em relação ao quarto trimestre reforça essa dinâmica positiva, criando um ambiente favorável para companhias com exposição ao metal.
Pressão em volumes
Por outro lado, produtores de minério de ferro, como a Vale (VALE3), devem enfrentar um trimestre mais desafiador em termos operacionais, com menor produção nas minas pressionando os resultados na comparação sequencial. Ainda assim, o desempenho mais forte da divisão de metais básicos pode ajudar a sustentar números mais equilibrados.
No segmento de celulose, o cenário também tende a ser mais adverso. Apesar da alta de cerca de 9% nos preços da commodity, fatores como menores volumes e a valorização do real frente ao dólar devem mais do que compensar esse ganho, pressionando os resultados de empresas como Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11). Paradas para manutenção e estratégias de recomposição de estoques também devem impactar negativamente o desempenho operacional.
No caso da CSN (CSNA3), o banco adota uma visão mais cautelosa, com expectativa de que a companhia apresente queima de caixa e leve aumento da alavancagem no período — fator que segue no radar dos investidores.
Apesar do cenário misto, o relatório reforça que o ambiente de preços ainda sustentáveis para diversas commodities, especialmente metais, deve ser determinante para diferenciar vencedores e perdedores no trimestre, com Gerdau e Aura despontando como os principais nomes a acompanhar nesta temporada de resultados.






