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Fitch tem inadimplência restrita no horizonte da Raízen

Fitch tem inadimplência restrita no horizonte da Raízen

A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou as notas de crédito da Raízen após o anúncio da recuperação extrajudicial

A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou as notas de crédito da Raízen (RAIZ4) após o anúncio de um plano de recuperação extrajudicial, avaliando que a companhia entrou em um processo semelhante a uma situação de inadimplência. Com isso, os ratings de inadimplência do emissor (IDR) de longo prazo em moeda local e estrangeira foram reduzidos para “C”, ante “CCC”.

A decisão também incluiu o rebaixamento das notas seniores sem garantia real emitidas pela Raizen Fuels Finance, com vencimentos entre 2027 e 2054, que passaram a ter classificação “C” e rating de recuperação “RR4”. No mercado doméstico, os ratings nacionais de longo prazo da companhia foram reduzidos para “C(bra)”.

Segundo a Fitch, o rebaixamento reflete o anúncio feito pela empresa em 11 de março de que firmou acordo com parte de seus credores para implementar um plano de reorganização financeira. A proposta prevê diferentes medidas, como possível conversão de dívida em capital, troca de instrumentos financeiros e eventual injeção de novos recursos, além de ajustes na estrutura societária.

A companhia terá um prazo de 90 dias para concluir o processo de reestruturação por meio da adesão da maioria simples dos credores quirografários seniores. Caso esse apoio seja alcançado, as condições do acordo serão automaticamente estendidas a todos os credores dessa classe.

Durante esse período, a empresa conta com um acordo de “standstill”, que suspende temporariamente a cobrança de dívidas e permite que a companhia conduza as negociações sem pressão imediata de vencimentos.

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Novo rebaixamento à vista

Na avaliação da Fitch, o processo equivale a uma situação próxima de inadimplência. Caso a Raízen anuncie formalmente a conclusão do plano de reestruturação, a agência afirma que os ratings poderão ser rebaixados para “RD” (restricted default), classificação que indica inadimplência restrita. Nesse cenário, as notas de crédito seriam posteriormente reavaliadas com base na nova estrutura de capital e no plano de negócios revisado da empresa.

O plano atual conta com o apoio inicial de credores que representam cerca de 47% da dívida quirografária sênior, o equivalente a aproximadamente R$ 30,7 bilhões. O objetivo da companhia é ampliar essa adesão para atingir a maioria simples e estender os termos da renegociação a toda a classe, que soma cerca de R$ 65,1 bilhões.

A agência também destacou que o processo de reestruturação não deve afetar as relações operacionais da empresa com clientes, fornecedores e distribuidores, considerados essenciais para a continuidade das atividades. Além disso, credores com garantias fiduciárias e operações de adiantamento de contratos de câmbio não estão incluídos no plano de reestruturação.

A Fitch afirmou ainda que os ratings poderão ser revisados após a conclusão da renegociação da dívida, quando será possível avaliar o novo perfil financeiro da companhia e sua capacidade de recuperação.