A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou o rating nacional de longo prazo da Oncoclínicas (ONCO3) para ‘RD(bra)’ — sigla que indica inadimplência restrita —, ante a classificação anterior de ‘C(bra)’. A decisão afeta a 9ª e a 12ª emissões de debêntures quirografárias da companhia e sinaliza um agravamento significativo da situação financeira do maior grupo de oncologia da América Latina.
O gatilho para o rebaixamento foi a aprovação, pelos próprios credores, do adiamento do pagamento de juros dessas duas emissões. Em assembleias realizadas nos dias 16 e 31 de março de 2026, os debenturistas concordaram em postergar os vencimentos para 1º de junho deste ano. Para a Fitch, esse tipo de manobra — em que o adiamento serve para evitar uma inadimplência formal — já configura, por definição, um evento de default restrito.
A 11ª emissão de debêntures, por ora, manteve o rating ‘C(bra)’, pois a assembleia convocada para deliberar sobre o mesmo adiamento não atingiu quórum. O próximo pagamento de juros desse título está previsto para 10 de abril. Caso os credores aprovem a postergação na assembleia remarcada para a mesma data, a Fitch indicou que também rebaixará essa emissão para ‘RD(bra)’.
Cenário preocupante
O cenário de fundo é preocupante. A alavancagem bruta da Oncoclínicas chegou a 8,2 vezes o EBITDA nos 12 meses encerrados em setembro de 2025, com poucas perspectivas de melhora no curto prazo. A agência projeta geração de caixa operacional negativa de cerca de R$ 600 milhões em 2025 e de R$ 200 milhões em 2026, reflexo de elevadas necessidades de capital de giro e pesadas despesas financeiras.
Agrava o quadro o atraso na publicação do balanço anual auditado de 2025, que deveria ter sido divulgado até 31 de março. A Fitch aguarda a publicação nos próximos dias, dentro do prazo de cura previsto em alguns contratos de dívida — o que evitaria a necessidade de novos pedidos de waiver junto aos credores.
O único movimento que poderia reverter o rating negativo seria a conclusão de um processo formal de reestruturação da dívida, quando a agência reavaliaria a classificação com base na nova estrutura de capital da companhia.
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