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EXCLUSIVO! Guerra no Oriente Médio fortalece soja e milho contra petróleo, diz CFO da Boa Safra

EXCLUSIVO! Guerra no Oriente Médio fortalece soja e milho contra petróleo, diz CFO da Boa Safra

Em entrevista exclusiva ao EuQueroInvestir, Felipe Marque diz que avanço dos biocombustíveis pode reforçar a demanda por soja e milho em meio à guerra no Oriente Médio

A nova escalada da guerra no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado de energia no mundo e reacendeu o debate sobre fontes alternativas aos combustíveis fósseis. 

Nesta segunda-feira (13), o petróleo voltou a subir depois do fracasso das negociações entre os EUA e Irã, com o Brent voltando a ultrapassar a casa dos US$ 100. O mercado ainda segue tentando medir os efeitos do bloqueio americano ao tráfego ligado ao país persa e da crise no Estreito de Ormuz.

Em entrevista exclusiva ao EuQueroInvestir, o CFO da Boa Safra (SOJA3), Felipe Marques, afirmou que esse novo choque energético reforça uma tese, na visão da companhia, que ganhou espaço no agronegócio: a de que a soja e milho, além de serem a base alimentar de bilhões de pessoas, se tornaram insumos estratégicos da matriz energética com o biodiesel e etanol. 

A leitura de Marques surge em um momento em que os governos e agentes do setor de energia voltam a discutir aumento de mistura de biocombustíveis, justamente durante a disparada nos preços do barril de petróleo. 

No Brasil, o governo quer elevar ainda neste ano a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, enquanto o setor afirma ter oferta para atender a demanda adicional. 

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Em paralelo, o país estuda acelerar testes para misturas mais altas de biodiesel, acima do atual patamar de 15%, como forma de reduzir a dependência do diesel importado.

Guerra recoloca energia no centro

Na avaliação de Marques, o conflito ajuda a evidenciar que a demanda por grãos não deve ser lida apenas pela ótica do alimento. Segundo ele, a discussão sobre segurança energética tende a abrir uma nova camada de consumo para commodities agrícolas, sobretudo em países que buscam reduzir exposição ao petróleo em momentos de estresse geopolítico.

“Todos os países do mundo estão olhando para aumentar as suas misturas de biodiesel e etanol na matriz energética. Isso é demanda na veia de soja e demanda na veia de milho”, afirmou Marques.

A Opep, por exemplo, já cortou em 500 mil barris por dia sua projeção de demanda global de petróleo para o segundo trimestre de 2026, na primeira revisão já incorporando os efeitos da guerra com o Irã, enquanto bancos e organismos internacionais alertam para inflação mais alta, cadeias de suprimento pressionadas e recuperação mais lenta da oferta de energia.

Esse movimento não se limita ao Brasil. Na Ásia, a Malásia anunciou que pretende aumentar gradualmente seu programa nacional de biodiesel e citou a alta do petróleo provocada pela guerra e pelo fechamento do Estreito de Ormuz como fator de pressão para acelerar a medida. Na Indonésia, o cronograma oficial prevê a ampliação do mandato de biodiesel para B50 até 2028.

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Grãos ganham nova camada de demanda

Essa não é uma visão exclusiva da Boa Safra. No começo de abril, a alemã Verbio afirmou à Reuters que a guerra no Oriente Médio elevou a demanda por biocombustíveis locais, à medida que empresas e governos passaram a priorizar segurança de abastecimento e custo de energia, e não apenas metas climáticas.

Ao mesmo tempo, Marques reconheceu que ainda não há uma conta fechada sobre o tamanho desse efeito para soja e milho. 

“Eu não vi nenhum estudo mostrando qual é o potencial de demanda dependendo da adoção e da velocidade de adoção desses aumentos de mistura do biodiesel e do etanol”, disse Marques.

Mesmo com essa ressalva, o CFO sustenta que o Brasil tende a sair fortalecido de uma eventual ampliação estrutural dos biocombustíveis. A aposta é que o país combina escala agrícola, competitividade em soja e expansão relevante do etanol, inclusive o de milho, em um momento em que o mercado passa a olhar energia e alimento como temas cada vez mais conectados.