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Por que o seguro de carro ficou mais caro? Enchentes, elétricos e peças visadas pressionam apólices; veja como economizar

Por que o seguro de carro ficou mais caro? Enchentes, elétricos e peças visadas pressionam apólices; veja como economizar

Em entrevista exclusiva ao EuQueroInvestir, Michel Tanam, gerente da Creditas Seguros, explica por que o seguro auto ficou mais caro e dá dicas para economizar sem ficar desprotegido

O seguro de carro ficou mais caro em 2026, e a conta não subiu por um único motivo. Em entrevista exclusiva ao EuQueroInvestir, Michel Tanam, gerente da Creditas Seguros, afirmou que a elevação dos custos foi impulsionada pelas enchentes mais fortes no início do ano, pelo boom dos carros elétricos e pelo furto de peças tecnológicas em veículos mais novos.

Na leitura dele, o mercado de seguros começou 2026 com um risco mais complexo, que mistura clima, tecnologia embarcada e criminalidade. É esse novo desenho que ajuda a explicar por que a apólice passou a pesar mais no bolso do motorista.

O levantamento da Creditas comparou os preços médios do seguro auto em fevereiro com os de janeiro de 2026, considerando 11 capitais, os 10 veículos mais vendidos em cada período, cotações com 15 seguradoras e perfis de homem e mulher, ambos casados e com 35 anos.

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O que fez o seguro de carro ficar mais caro

Um dos fatores citados pela Creditas foi a piora do risco climático. A empresa afirma que os fortes alagamentos em capitais do Nordeste e do Centro-Oeste elevaram os sinistros por danos de água em regiões que, historicamente, não concentravam esse tipo de pressão.

“Diferente de anos anteriores, o primeiro trimestre registrou alagamentos severos em capitais do Nordeste e Centro-Oeste, gerando um pico atípico de sinistros por danos de água em regiões historicamente consideradas de baixa sinistralidade. Esse cenário tem forçado as companhias a recalcular rapidamente seus modelos de risco regional”, afirmou Michel Tanam, gerente da Creditas Seguros.

Outro vetor veio do boom dos carros elétricos e híbridos. Com mais veículos eletrificados nas ruas, o seguro passou a lidar com reparos mais caros e tecnicamente mais sensíveis, sobretudo em itens como baterias e sensores de colisão.

“Com custos de reparo que podem atingir 70% do valor do bem, especialmente em componentes críticos como baterias e sensores de colisão, as seguradoras registram um volume maior de Perdas Totais em comparação aos veículos a combustão, testando a viabilidade das tarifas aplicadas nos últimos dois anos”, disse Tanam.

A pressão também passou pelas peças mais visadas no mercado paralelo. Mesmo com a telemetria ajudando a reduzir roubos e furtos de veículos em praças como São Paulo e Rio de Janeiro, a Creditas aponta crescimento no furto de módulos, faróis de LED e retrovisores inteligentes.

Na pesquisa da Creditas, o Rio de Janeiro apareceu com os maiores valores médios de seguro para homens e mulheres. Já o BYD Dolphin Mini EV 4P registrou o maior valor médio nacional de apólice em fevereiro, enquanto a alta percentual foi ligeiramente maior no perfil feminino, de 16%, ante 14% no masculino.

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Como economizar sem errar

Com o seguro mais caro, o consumidor passou a rever a contratação do serviço. Em vez de tratar a apólice como uma etapa final da compra, muitos passaram a olhar esse custo antes mesmo de escolher o carro e, em alguns casos, a enxugar coberturas para tentar fazer o prêmio caber no orçamento.

“Sempre sugiro que o consumidor pesquise e compare os preços. Outra dica é avaliar as formas de pagamento, porque o pagamento anual à vista, quando possível, pode oferecer um desconto significativo em comparação com o parcelamento, que frequentemente inclui juros. Se a troca de veículo estiver nos planos futuros, considerar modelos que historicamente apresentem custos de seguro mais acessíveis pode gerar uma economia a longo prazo”, orientou Tanam.

O gerente da Creditas ainda destaca que em um cenário de alta, economizar não é apenas pagar menos, mas evitar uma escolha que pareça barata agora e vire problema depois.

Tanam reforça que a tentativa de poupar agora pode aumentar a exposição ao risco. Cortar proteção essencial ajuda a reduzir a conta no primeiro momento, mas deixa o motorista mais vulnerável justamente quando o custo de reparo está maior.

“É muito comum, em um cenário de alta do custo, o consumidor querer reduzir as coberturas essenciais, como as de danos a terceiros ou colisão, apenas para baratear o seguro. Embora isso possa diminuir o prêmio, deixa o consumidor em uma posição financeira vulnerável e potencialmente pior em caso de sinistro”, alertou Tanam.