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Riachuelo: de varejista cíclica a case de execução previsível?

Riachuelo: de varejista cíclica a case de execução previsível?

Lucro supera estimativas, margem avança e alavancagem cai para 0,4x; BBI e Safra destacam execução consistente e maior previsibilidade de resultados

A Riachuelo (RIAA3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com números acima das expectativas. Este resultado reforçou uma discussão que vai além de algo pontual, a companhia começa a ser vista como um case de execução consistente dentro do varejo brasileiro.

Relatórios de mercado apontam que o desempenho consolida um padrão operacional observado nos últimos anos e aumenta a visibilidade de lucros à frente.

O lucro líquido ajustado somou R$ 322 milhões no 4T25. Para o Bradesco BBI, o número ficou 40% acima das estimativas da casa. Já o Safra destacou que a companhia conseguiu converter a expansão de margem bruta em rentabilidade operacional, com margem EBITDA consolidada de 20,6%, superando suas projeções.

No operacional, as vendas mesmas lojas (SSS) de vestuário cresceram 7,2% na comparação anual — desempenho considerado superior ao observado no setor, que vem mostrando sinais de desaceleração. A margem bruta avançou de forma consistente, sustentada por ganhos de produtividade industrial, menor necessidade de remarcação e ajustes no mix de produtos.

“A leitura é positiva. Os resultados do 4T25 reforçam a trajetória de execução consistente observada nos últimos dois anos e meio”, afirmam os analistas do Bradesco BBI. 

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Para a casa, a combinação de crescimento acima dos pares e expansão recorrente de margens sustenta a tese de valorização da companhia.

Consistência operacional e menor volatilidade

O Safra também destacou a consistência da operação, ressaltando a capacidade da empresa de capturar eficiência em sua planta industrial e manter disciplina comercial mesmo em um ambiente de maior volatilidade no consumo. Segundo o banco, a companhia conseguiu sustentar a expansão de rentabilidade mesmo com despesas maiores para suportar o crescimento das vendas.

Outro ponto de destaque foi a performance da Midway, braço financeiro da companhia. A divisão registrou EBITDA de R$ 126 milhões no trimestre, mantendo evolução positiva e indicadores de crédito saudáveis. O modelo híbrido — varejo e serviços financeiros — é visto como um elemento que reduz a volatilidade típica do setor e amplia a previsibilidade dos resultados consolidados.

A geração de caixa também foi considerada robusta. A relação dívida líquida/EBITDA caiu para 0,4x, ante 0,7x no trimestre anterior, mesmo após a distribuição dos recursos da venda do Midway Mall. Para o Safra, o movimento reforça a disciplina financeira e sustenta a manutenção da recomendação de Outperform.

Na avaliação do Bradesco BBI, o cenário atual também abre espaço para revisões positivas de estimativas de lucro. 

“A combinação de avanços operacionais estruturais com o bom desempenho da Midway sustenta a tese de valorização”, destacam os analistas.

Com leituras convergentes entre as casas, o 4T25 parece marcar mais do que um trimestre forte. O resultado consolida uma percepção de maior previsibilidade operacional — característica que pode alterar a forma como a Riachuelo é precificada pelo mercado, reduzindo a imagem de varejista puramente cíclica e aproximando-a de um case de execução disciplinada no setor.

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