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Itaú lidera consignado privado, enquanto Nubank é relutante

Itaú lidera consignado privado, enquanto Nubank é relutante

Itaú lidera com 18% de participação, seguido por Banco do Brasil com 13%, Santander com 10%, Parati e Caixa com 8% cada

O mercado de consignado privado no Brasil vive uma expansão acelerada – e os grandes bancos incumbentes estão na dianteira. É o que aponta análise do Bank of America, que mapeou o desempenho das principais instituições financeiras desde a implementação do novo marco regulatório, em março de 2025.

“As originações de crédito consignado privado totalizaram R$ 110 bilhões nos últimos onze meses, seis vezes mais do que em todo o ano de 2024”, destaca o BofA.

O produto já representa 6% do total de crédito ao consumidor excluindo imóveis, ante 2% no ano anterior. O saldo da carteira dobrou para R$ 83 bilhões em janeiro de 2026.

Incumbentes na frente, digitais divididos

O Itaú (ITUB3) lidera as originações com 18% de participação de mercado, favorecido pela migração do produto legado no qual já era líder.

O Banco do Brasil (BBAS3) ocupa o segundo lugar, com 13%, em um movimento de diversificação da carteira de pessoas físicas — já que a instituição não originava consignado privado anteriormente.

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Santander (SANB11) aparece em terceiro, com 10%, seguido por Parati e Caixa, cada um com 8%. O Bradesco intensificou a atuação recentemente e atingiu 6%.

No campo dos digitais, o cenário é de contrastes.

“O PicPay (PICS) e o Inter (INBR32) continuam registrando forte crescimento, atingindo 3% e 2% de participação de mercado, respectivamente — bem acima de suas participações no crédito ao consumidor sem garantia”, aponta o BofA. O consignado privado já representa cerca de 20% da carteira de crédito do PicPay e 5% da do Inter.

O Nubank (ROXO34) segue na contramão. “As originações acumuladas do Nubank representam apenas 0,4% do setor, bem abaixo de sua participação de 5% no crédito ao consumidor”, observa o banco americano.

Riscos e oportunidades à frente

“Esperamos que o produto ganhe mais impulso no segundo semestre de 2026, com a operacionalização das garantias do FGTS”, projeta o BofA. O banco alerta, porém, para o risco de tetos de juros em discussão no governo. “Acreditamos que a implementação é difícil, pois o risco de crédito não é uniforme entre todos os trabalhadores”, avalia o banco.

Um efeito colateral preocupa: a expansão do consignado privado está “juniorizando” os empréstimos sem garantia, como cartões de crédito, podendo pressionar os indicadores de qualidade de ativos dessas modalidades.