Os dados de inflação de fevereiro divulgados nesta quinta-feira (12) pelo IBGE vieram acima do consenso do mercado. O IPCA registrou variação de 0,70% no mês, superando a mediana das projeções de analistas, fixada em 0,64%. A leitura representa aceleração significativa frente ao 0,33% de janeiro e eleva o índice acumulado em doze meses para 3,81% – abaixo dos 4,44% do período anterior.
Os grupos Educação e Transportes explicam a maior parte do resultado. Educação avançou 5,21% — a maior variação do mês —, com impacto de 0,31 ponto percentual no índice, puxado pelos reajustes do início do ano letivo: ensino médio subiu 8,19%, ensino fundamental 8,11% e pré-escola 7,48%. Transportes registrou alta de 0,74%, com passagem aérea disparando 11,40%. Juntos, os dois grupos responderam por aproximadamente 66% do resultado de fevereiro.
No grupo Alimentação e bebidas, o açaí surpreendeu com alta de 25,29%, seguido pelo feijão-carioca (+11,73%) e pelo ovo de galinha (+4,55%). No sentido contrário, frutas recuaram 2,78%, óleo de soja caiu 2,62% e arroz cedeu 2,36%.
“O resultado veio mais pressionado e com uma composição persistentemente menos benigna. Em conjunto com os dados de atividade resiliente e com o choque de oferta no petróleo, seguimos observando um longo caminho até a convergência da inflação à meta”, explica o economista-chefe da EQI Investimentos, Stephan Kautz.
Para Carlos Thadeu, economista de inflação e commodities da BGC Liquidez, o número acima do esperado não deve gerar alarme imediato.
“Ainda que o número tenha ficado acima da mediana, considerei a composição neutra”, avalia o economista. A explicação está nos componentes que inflaram o núcleo de serviços: “serviços subjacentes foram afetados por seguro de veículos, cinema e tarifa bancária – todos não recorrentes. Zerando estes subitens, o núcleo seria de 0,44%, considerado perto da meta equivalente”, calcula Thadeu.
O economista também minimiza a pressão em industriais. Roupas e higiene pessoal vieram acima do esperado, mas “esses dois grupos estão com estoques elevados e demanda fraca nas sondagens mais recentes e devem desacelerar nos próximos números”, pondera.
O alerta mais relevante, porém, mira o horizonte imediato.
“O mercado agora respira a guerra e seus impactos inflacionários em combustíveis e derivados. Alguns postos em São Paulo já estão com pressão material nos reajustes de gasolina”, conclui Thadeu — sinalizando que o IPCA de março poderá trazer um componente novo e de difícil controle para o Banco Central.






