Os dados de atividade econômica de fevereiro de 2026 não apenas vieram em linha ou acima do esperado, como contradizem uma das premissas centrais do Banco Central. É o que avalia Igor Cadilhac, economista da EQI Asset, após a divulgação do IBC-Br, indicador considerado a prévia do PIB, que registrou alta de 0,6% na margem, com todos os setores no campo positivo.
“O que os dados estão mostrando é que essa teoria de que a desaceleração da atividade econômica no Brasil tem se mostrado mais clara simplesmente não se confirma nos dados”, afirmou Cadilhac.
Para o economista, o IBC-Br de fevereiro funciona como um balanço do mês. “Ele é o último dado de atividade que sai. A gente meio que reflete sobre tudo que foi saindo ao longo do mês”, complementa.
Cadilhac cita que o diagnóstico do mercado é de resiliência generalizada. A indústria avançou 1,2% no mês, os serviços subiram 0,3% e a agropecuária cresceu 0,2%.
Atividade resiste à Selic
Na avaliação de Cadilhac, o resultado de fevereiro não é um episódio isolado. Os indicadores antecedentes de março monitorados pela gestora também apontam na mesma direção, o que consolida a expectativa de crescimento do PIB acima de 1% no primeiro trimestre, mesmo com a taxa básica de juros em 14,75% ao ano.
“Por mais que algumas pesquisas tenham vindo abaixo das expectativas, ainda assim foi um mês que a atividade econômica performou muito bem”, disse o economista.
Ele destaca que o mercado de trabalho segue nas mínimas históricas de desemprego, com rendimentos robustos, enquanto o crédito mantém ritmo forte e o impulso fiscal do ano eleitoral permanece ativo.
Para o ano completo, a EQI Asset projeta crescimento de 2,1% do PIB em 2026, com inflação de 4,6%. No acumulado de 12 meses, o IBC-Br já acumula alta de 1,9%.
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Juros mais alto por mais tempo
A persistência da atividade tem consequências diretas para o ciclo monetário. Com a economia resistindo ao aperto já implementado, a EQI Asset projeta taxa terminal de 13,5% ao fim de 2026, patamar significativamente acima dos 12,5% apontados pelo relatório Focus.
“Esses dados colocam ainda mais riscos de inflação mais alta e, consequentemente, de juros mais alto por mais tempo”, afirmou Cadilhac.
O economista avalia que o IBC-Br de fevereiro coloca em cheque a possibilidade de o Banco Central se sentir confortável com a trajetória de desaceleração da economia, narrativa que os dados de fevereiro voltaram a contrariar.
O próximo IBC-Br, referente a março de 2026, será divulgado em 18 de maio.






