O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã reduziu a pressão imediata sobre o petróleo e ajudou a aliviar um dos principais temores do mercado, o risco de uma nova rodada de pressão inflacionária no mundo via energia.
A Janus Henderson e Avenue compartilham a ideia de que a trégua desmonta parte do movimento de aversão a risco e abre espaço para normalização de preços no curto prazo, embora o conflito ainda esteja longe de uma solução definitiva.
O mercado passou a reprecificar um cenário menos extremo para a oferta global de petróleo, especialmente por causa dos relatos de reabertura temporária do Estreito de Hormuz. Esse canal concentra uma parcela relevante do fluxo global da commodity, o que transformou a escalada militar recente em um vetor direto de preocupação com inflação, juros e crescimento. Com a trégua, esse medo perdeu força, mas não desapareceu.
Trégua desmonta parte do choque inflacionário no curto prazo
Para Noah Barrett, analista de pesquisa da Janus Henderson, a abertura temporária do Estreito de Hormuz tende a aliviar a pressão sobre petróleo e derivados ao permitir a retomada de um volume relevante de fluxo e ajudar compradores a recompor estoques.
Ainda assim, a gestora pondera que o mercado precisa ver essa normalização acontecer de fato, com embarques passando pelo canal e menor risco de novos ataques nas próximas semanas.
“Mesmo se o estreito fosse reaberto, eu esperaria que os preços do petróleo permanecessem elevados em relação aos níveis pré-conflito. Dadas as interrupções em infraestruturas-chave e a avaliação de que o prêmio de risco embutido no barril segue elevado, espero um preço-piso mais alto para o petróleo”, afirmou Barrett.
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Mercado melhora humor, mas ainda evita cantar vitória
Para Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, a notícia do cessar-fogo desencadeou um movimento claro de redução da aversão a risco, com recuperação forte das bolsas globais, enfraquecimento do dólar frente a outras moedas e retorno de fluxo para mercados emergentes.
Segundo ele, esse movimento funciona como uma reversão parcial do playbook de guerra visto recentemente, quando investidores migraram para ativos defensivos diante da alta incerteza e do salto do petróleo.
“Choques no preço do petróleo podem ter, sim, impacto na inflação da economia global como um todo, mas ainda assim eles tendem a ser temporários, porque a partir do momento que esse conflito diminui as tensões ou eventualmente se resolve, a gente acaba vendo uma normalização dos preços”, disse Yamashita.
O estrategista ressaltou, contudo, que o mercado ainda precisa monitorar o desenrolar das negociações e entender se o cessar-fogo temporário será suficiente para consolidar uma normalização mais duradoura dos ativos. Isso porque a melhora recente no humor global está diretamente ligada à percepção de menor risco imediato e não, necessariamente, à eliminação das incertezas geopolíticas.






