As ações da Vivara (VIVA3) continuam a oferecer um potencial de valorização atrativo apesar da alta de 77% no preço do ouro nos últimos 12 meses, avalia o BTG Pactual em relatório assinado pelos analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon neste domingo (8). Com o papel negociando a 11 vezes o preço da ação sobre o lucro (P/L 2026), o banco acredita que os níveis atuais de valuation permanecem atrativos.
Os analistas observam uma disciplina de precificação sustentada, otimização de estoque e resiliência contínua de vendas mesmas lojas.
Para sustentar a tese, o BTG lançou um índice de monitoramento de preços que acompanha 32,6 mil produtos (SKUs) das marcas Vivara, Life e da concorrente Pandora.
A análise revelou que a Vivara permanece firmemente posicionada na ponta premium do mercado brasileiro de joias, com preço médio de R$ 7 mil contra R$ 595 da Life, representando um prêmio de 7 vezes em categorias comparáveis. A penetração de descontos é mais contida na marca premium (6% dos SKUs com desconto versus 26% na Life).
O índice foi construído com base em avaliação abrangente por nível de marca, categoria e material — sendo 19,7 mil SKUs da Vivara, 10,5 mil da Life e 2,4 mil da Pandora.
“Nosso objetivo é fornecer uma visão em tempo real do posicionamento de preços, intensidade promocional e mix de sortimento, oferecendo insights mais claros sobre dinâmicas competitivas e poder de precificação no mercado brasileiro de joias”, afirmam.
Commodities pressionam custos
A iniciativa ganha relevância no atual cenário de metais preciosos. O ouro subiu 20% no acumulado do ano (77% em 12 meses), ultrapassando recentemente US$ 5.100 por onça, apoiado por tensões geopolíticas, incertezas comerciais e demanda contínua de bancos centrais. A prata também avançou significativamente, subindo aproximadamente 160% em 12 meses para US$ 84 por onça, adicionando pressão incremental de custos.
“Ao rastrear movimentos de preços no nível de SKU, podemos avaliar quão efetivamente as empresas estão respondendo à inflação de matérias-primas, protegendo margens e preservando disciplina de precificação”, pontuam.
Segmentação clara
A análise inicial reforça a clareza da segmentação de portfólio da Vivara. A marca premium apresenta mediana de R$ 4,2 mil versus R$ 530 da Life, dispersão de preços mais ampla (R$ 50 a R$ 237 mil contra R$ 9 a R$ 5 mil) e exposição materialmente maior a joias de ouro maciço (74% dos SKUs), com presença menor de peças banhadas a ouro (versus 30% na Life).
A Life opera com ticket estruturalmente mais baixo, concentrada em categorias baseadas em prata (83% dos SKUs). A Pandora compete primariamente dentro do segmento acessível da Life, com a oferta de preços de entrada menores na maioria das categorias de prata — em pulseiras, a diferença é mais pronunciada (R$ 330 versus R$ 529).
“A preservação de um teto de preço premium e atividade promocional disciplinada reforçam o brand equity e poder de precificação da Vivara em ambas as bandeiras Vivara e Life”, concluem os analistas.






