O conflito no Irã elevou os preços do petróleo, pressionou as taxas de juros e reacendeu o fantasma da estagflação global. Para o investidor brasileiro, a pergunta que se coloca é: quais ações protegem o portfólio se a guerra se prolongar — e quais se beneficiam caso a tensão arrefeça?
O Bank of America respondeu com um mapa detalhado das chamadas bond proxies (ações de empresas que se comportam de forma similar a títulos de renda fixa) brasileiras para os dois cenários.
“O conflito no Irã elevou os preços do petróleo, as taxas e as preocupações globais com estagflação. Em uma eventual desescalada, a normalização das taxas pode representar uma oportunidade nas bond proxies de maior duração e beta. No caso de uma disrupção prolongada, algumas bond proxies podem oferecer proteção em ambientes de estagflação”, sintetizam os analistas do banco.
As preferências
No setor elétrico, a preferência recai sobre dois nomes. A Axia (AXIA3) se destaca pela correlação de seus preços de energia ao gás Henry Hub – e não à inflação doméstica -, o que oferece proteção atípica em cenários de estagflação, com duração de oito anos mais curta que os pares.
A Equatorial (EQTL3) aparece como a escolha prioritária para o cenário de desescalada: “favorecemos a Equatorial, com IRR real de aproximadamente 11%, dado seus reajustes indexados à inflação na distribuição de energia elétrica, que representa cerca de 80% do NAV, e a maior duração de fluxo de caixa entre nossa cobertura, de aproximadamente 13 anos”, destacam os analistas.
Nas concessões de infraestrutura, a Ecorodovias (ECOR3) é a top pick.
“Combina valuation atrativo, com IRR real de 13,8%, proteção no cenário de estagflação e potencial de compressão do IRR com a queda dos juros, dada sua longa duração e alta alavancagem”, apontam os analistas.
A Motiva (MOTV3) também figura no radar, com IRR de 10,5%, mas se beneficia menos de cortes de juros pela duração menor.
Nos shoppings, o upside é modesto. A Allos (ALOS3) se destaca pelo dividend yield de 11,5%, mas o setor como um todo não deve se beneficiar materialmente de cortes de juros no curto prazo dado o perfil de longa duração. Multiplan (MULT3) e Iguatemi (IGTA3) recebem recomendação neutra.
Para as teles, o banco mantém visão negativa.
“Valuations parecem esticados após a recente alta, com IRRs de equity implícitos em torno de 7% mesmo sob premissas favoráveis”, concluem os analistas, reiterando underperform (venda) para Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3).






