Os resultados do primeiro trimestre de 2026 da Heineken trouxeram uma surpresa positiva para o setor cervejeiro brasileiro — e ela pode beneficiar diretamente a Ambev (ABEV3). Para os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG Pactual, a leitura cruzada dos números da rival holandesa aponta para um ambiente de precificação mais favorável do que o esperado.
O principal destaque foi a política de preços. A Heineken reportou aumento de preço-mix em dígito alto no Brasil – acima de 8% na comparação anual -, mesmo com a marca principal apresentando queda leve de volumes.
“O maior destaque foi o aumento em dígito alto nos preços médios reportado pela Heineken, mesmo com a marca Heineken aparentemente tendo desempenho inferior ao de Amstel e Sol“, destacam Duarte e Guttilla.
Ambev pode ser beneficiada
A surpresa positiva da Heineken coloca em xeque as estimativas do BTG para a Ambev. O banco projeta alta de apenas 5,4% nos preços médios de cerveja no Brasil para o primeiro trimestre — patamar bem abaixo do reportado pela rival.
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“Isso ou sugere que a Heineken retomou sua superioridade histórica de preços em relação à Ambev, ou que podemos ter que elevar nossas estimativas de precificação para a Ambev no trimestre”, avaliam os analistas.
No campo dos volumes, o quadro é mais neutro. A Heineken confirmou queda em dígito baixo na comparação anual, em linha com os dados do Nielsen e com o ambiente de demanda mais fraco causado pelo Carnaval mais curto.
“A Heineken confirma uma demanda geral de cerveja mais fraca na comparação anual, o que de alguma forma reforça nossa percepção de que os volumes da Ambev devem recuar no trimestre — temos -3,6% na comparação anual”, pontuam Duarte e Guttilla.
(Imagem: Gustavo Kahil/ EQI)
Capacidade nova, mas sem guerra de preços
O ponto mais relevante para a perspectiva competitiva do setor está além dos números do trimestre. Em 2025, a Heineken expandiu sua capacidade produtiva no Brasil – movimento que normalmente precederia uma postura mais agressiva em volumes e promoções. Até agora, isso não aconteceu.
“Desde a adição de capacidade produtiva da Heineken em 2025, esperaríamos que ela se tornasse mais orientada a volumes e talvez mais promocional em preços para absorver essa capacidade. Até agora, não foi o caso”, observam os analistas.
Para o BTG, isso configura “um ambiente competitivo um pouco mais benigno do que o esperado” — e uma leitura “ligeiramente positiva” para a Ambev, que divulga seus resultados do primeiro trimestre em 5 de maio.