Os dados do Banco Central para o primeiro trimestre de 2026 revelaram um movimento incomum no Nubank — e ele já aconteceu antes.
A proporção de clientes da fintech registrados no Sistema de Informações de Crédito (SCR) recuou 6 pontos-base na comparação trimestral, revertendo as adições positivas dos últimos trimestres.
Para os analistas Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre, do banco Safra, o movimento lembra um episódio recente.
“Déjà vu? A última vez em que o Nubank também registrou queda sequencial nessa proporção foi no terceiro trimestre de 2024, quando a empresa transmitiu uma mensagem mais conservadora sobre exposição ao risco e expansão do crédito“, afirmam os analistas.
Contexto diferente, preocupação semelhante
Em 2024, o gatilho foi a deterioração das safras de crédito e o avanço das apostas esportivas, que pressionavam a capacidade de pagamento dos clientes.
Agora, o contexto é diferente — mas não menos preocupante.
“Notamos uma grande preocupação com a qualidade dos ativos em nível sistêmico, com o governo e o Banco Central demonstrando preocupações com os atuais níveis de comprometimento de renda”, destacam Vaz, Guedes e Nobre.
As adições líquidas de clientes registrados no SCR somaram 1,6 milhão no trimestre — abaixo dos cerca de 2 milhões dos períodos anteriores. Entretanto, a base total de clientes do Nubank seguiu crescendo, atingindo 115 milhões — alta de 2,7 milhões na comparação com o quarto trimestre de 2025, a maior expansão entre as instituições cobertas pelo Safra.
“O Nubank ainda lidera em adições líquidas de clientes, mas a desaceleração na penetração de crédito é um sinal a monitorar”, ressaltam os analistas.

Fintechs avançam, incumbentes recuam
Entre as fintechs, Mercado Pago e PicPay mantiveram tendência de expansão acelerada em crédito — enquanto o Inter registrou crescimento mais modesto, de 9 pontos-base, perdendo ritmo em relação aos trimestres anteriores.
Entre os grandes bancos, o quadro é de contração generalizada.
“Santander (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) continuaram a contrair sua penetração de crédito, com quedas de 53 e 46 pontos-base, respectivamente“, apontam os analistas.
O Santander se destaca negativamente na comparação anual.
“A penetração de crédito do Santander recuou quase 400 pontos-base na comparação anual, refletindo queda de 5% nos clientes registrados no SCR, em contraste com expansão de 5% na base total de clientes”, detalham Vaz, Guedes e Nobre.
Bradesco (BBDC4) e Caixa Econômica Federal foram exceções positivas entre os incumbentes, com expansões de 58 e 24 pontos-base, respectivamente. No ranking de satisfação do Banco Central, o Nubank manteve a primeira posição, com o Banco do Brasil em segundo lugar.
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