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Cyrela (CYRE3) cai mais de 5%; ajuste contábil levanta dúvidas sobre qualidade dos ganhos

Cyrela (CYRE3) cai mais de 5%; ajuste contábil levanta dúvidas sobre qualidade dos ganhos

Mudança no reconhecimento de receitas de projetos como Epic e Vista Milano divide o mercado sobre a recorrência dos ganhos no quarto trimestre

As ações da Cyrela ($CYRE3) figuram entre as maiores quedas do Ibovespa nesta sexta-feira (20), recuando 5,94% por volta das 13h56, mesmo após a divulgação de resultados considerados sólidos para o quarto trimestre de 2025. 

Apesar disso, o mercado não questiona os números em si, mas o que está por trás deles.

O ponto de atenção está em uma mudança no critério de reconhecimento de receitas

Antes, a Cyrela só contabilizava vendas após seis meses do lançamento ou quando os projetos atingiam 50% de comercialização. Agora, o reconhecimento ocorre no momento em que a companhia decide avançar com o empreendimento, o que antecipou receitas no trimestre, incluindo os projetos Epic e Vista Milano.

“A Cyrela passou a reconhecer receitas no momento em que decide seguir com os projetos, o que antecipou resultados no trimestre”, destacaram os analistas do BTG Pactual.

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Na prática, o movimento não sinaliza deterioração operacional, mas altera a leitura sobre a recorrência dos números. Parte do crescimento reflete timing contábil, não aceleração de demanda.

Qualidade do lucro em xeque

O Safra reforçou esse ceticismo. O banco apontou que, apesar dos resultados em linha com as estimativas, a qualidade do lucro acende um sinal de alerta, com presença de itens não recorrentes, entre eles benefícios fiscais e um resultado financeiro acima do esperado.

Esse tipo de leitura costuma levar investidores a separar crescimento operacional de efeitos contábeis, penalizando empresas cuja expansão depende mais de ajustes de reconhecimento do que da execução do negócio.

Os números do trimestre, contudo, foram positivos. A Cyrela registrou forte crescimento de receita, manteve ROE (Return on Equity) próximo de 27% em base anualizada e gerou fluxo de caixa livre sólido, sustentado por dividendos de subsidiárias, além de anunciar distribuição relevante de proventos.

O BTG Pactual manteve recomendação de compra para os papéis, destacando a incorporadora como uma das principais escolhas no segmento de média e alta renda.

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