A ação da MRV (MRVE3) tem potencial de valorização e continua negociando a múltiplos considerados descontados em relação a outras empresas do setor imobiliário, segundo análise do Bradesco BBI. Apesar da forte recuperação recente no mercado, os analistas avaliam que a companhia ainda não passou por uma reavaliação completa por parte dos investidores.
Nos últimos 12 meses, os papéis da empresa registraram valorização significativa, próxima de 95%, refletindo principalmente a redução das incertezas que cercavam a tese de investimento. Ainda assim, o banco destaca que parte relevante do mercado permanece cautelosa com o papel, em grande medida por conta da complexidade percebida na estrutura da companhia e da visibilidade ainda limitada sobre a geração futura de resultados e de caixa.
Entre os pontos positivos destacados no quarto trimestre está a evolução da geração de caixa na operação principal da companhia, que apresentou melhora substancial em relação a 2024. Ao mesmo tempo, a dependência da venda de recebíveis — prática utilizada por incorporadoras para antecipar receitas — vem diminuindo gradualmente, o que tende a tornar o modelo de negócios mais sustentável ao longo do tempo.
Os resultados mais recentes também indicam um processo de recuperação operacional em curso. A MRV registrou lucro de R$ 204 milhões no terceiro trimestre de 2025, reforçando a percepção de que a dinâmica de resultados da empresa está sendo restabelecida após um período de maior pressão.
Apesar disso, o principal debate entre investidores mudou de foco. Se antes a preocupação estava relacionada à normalização dos lucros, agora a discussão gira em torno da capacidade da companhia de sustentar uma geração consistente de caixa nos próximos anos.
Aluguel de ações
Na visão da casa de análise, os ativos da MRV seguem entre os maiores Free Float alugados do lbovespa, mesmo após apreciação de aproximadamente 95% nos últimos 12 meses. Segundo o relatório, é fundamental destacar que a história continua sendo amplamente negligenciada devido à complexidade percebida e à baixa visibilidade da geração de resultados ou caixa no futuro – grande parte da movimentação de reprecificação foi impulsionada pela redução de risco.
“Mantemos nossa recomendação de Compra para MRVE3, baseada em: um P/L para 2027 barato de 4,8x (contra os pares em 7x); uma tese amplamente ignorada, tanto por locais quanto por investidores estrangeiros; e sua exposição aos efeitos favoráveis setoriais que deve apoiar uma melhora na dinâmica dos resultados e do fluxo de caixa”, diz parte do relatório.






