“A recuperação já começou, mas a execução continua sendo fundamental”. Assim os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, do BTG Pactual, definem o novo momento da Natura (NTCO3) após o anúncio feito nesta segunda-feira (30). A entrada do fundo Advent International no capital da companhia, com a intenção de adquirir entre 8% e 10% de participação, marca um ponto de inflexão na tese de investimento da gigante brasileira de cosméticos.
De acordo com o relatório do BTG, a transação ocorrerá via compras no mercado secundário nos próximos seis meses. Para os analistas, “a presença de um patrocinador financeiro adiciona credibilidade ao caso de investimento e pode catalisar uma reavaliação” das ações, que enfrentaram forte volatilidade recentemente.
A mudança na governança é o pilar central do acordo. Os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos, além do atual chairman Fabio Barbosa, deixarão o Conselho de Administração (BoD) para integrar um “novo órgão estatutário sem poderes executivos ou deliberativos, encarregado de salvaguardar os valores e a cultura da Natura”.
Segundo Guanais, Cesquim e Cendon, “isso marca uma mudança crucial em direção a uma estrutura de governança mais institucional, reduzindo a influência centrada nos fundadores”.
Alessandro Carlucci assumirá a presidência do conselho, que passará a contar com dois indicados pela Advent.
Confiança na estrutura de capital
Diferente de outras transações de private equity, o investimento não prevê injeção primária de capital, o que, na visão do banco, “sinaliza confiança na atual estrutura de capital e na posição de liquidez da empresa”.
Além disso, o acordo de acionistas com duração de 10 anos “proporciona estabilidade e reduz a incerteza quanto à dinâmica de propriedade”, fator considerado relevante dada a complexidade histórica da base societária da empresa.
Expansão de margens
Em suma, “vemos a entrada da Advent como um endosso ao caso de investimento da Natura pós-reestruturação“, afirmam os analistas. Contudo, o BTG ressalta que o sucesso a longo prazo depende da capacidade da Natura em estabilizar sua base de consultoras e expandir margens na América Latina.
Embora o anúncio seja um catalisador positivo para o sentimento do mercado, o “desrisco” total da tese virá apenas com a entrega consistente de resultados operacionais.






